Em 8 de Janeiro de 2020, um novo coronavírus foi oficialmente anunciado como o patógeno causador da COVID-19 pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (Li et al., 2020). COVID significa Corona Virus Disease (Doença do Coronavírus), enquanto “19” se refere a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente (Fundação Oswaldo Cruz, 2020). Autores * Isabelle Schalch de Oliveira Campos ** Maiara Rodrigues de Freitas *** Profa. Dra. Sheila Cavalca Cortelli **** Prof. Dr. José Roberto Cortelli “A assistência odontológica apresenta um alto risco para a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), pela alta carga viral presente nas vias aéreas superiores e devido à grande possibilidade de exposição aos materiais biológicos proporcionada pela geração de aerossóis durante os procedimentos”. ANVISA-NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2020 Esse documento resume não somente o que a ciência apresenta de dados até o momento sobre a COVID-19 dentro da odontologia, mas também o que as agências regulatórias e outros serviços de saúde tem disponibilizado à nossa classe sobre os riscos de contaminação a que estamos sujeitos ao tratar nossos pacientes. Abordamos ainda os protocolos que, se devidamente seguidos, podem ser eficazes no controle da infecção no ambiente odontológico. Histórico da Pandemia Em 8 de Janeiro de 2020, um novo coronavírus foi oficialmente anunciado como o patógeno causador da COVID-19 pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (Li et al., 2020). COVID significa Corona Virus Disease (Doença do Coronavírus), enquanto “19” se refere a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente (Fundação Oswaldo Cruz, 2020). A epidemia (COVID-19) teve seu início em Wuhan, China, em dezembro de 2019 e se tornou um grande problema de saúde pública, desafiador não apenas para a China, mas também para quase todos os países do mundo (Phelan et al., 2020). Em 30 de Janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que esse surto constituiria uma emergência de saúde pública mundial (Mahase, 2020). A maioria dos pacientes acometidos com a COVID-19 corresponde a casos considerados de leve gravidade, todavia os casos podem se agravar chegando até a uma pneumonia severa e óbito. Os sintomas mais comuns são febre e tosse seca, mas os pacientes podem apresentar também falta de ar, fadiga e outros sintomas atípicos, como dor muscular, confusão mental, dor de cabeça, dor de garganta, diarreia, vômito e alteração olfativa. A doença pode também apresentar complicações graves, como síndrome do desconforto respiratório agudo, arritmia e choque, necessitando nestas condições de atendimento nas unidades de terapia intensiva. Em geral, a idade avançada e a existência de morbidades subjacentes, como por exemplo, diabetes, hipertensão e doença cardiovascular estão associadas à um prognóstico desfavorável (Liu et al., 2020; Wang et al., 2020; Yang et al., 2020). Na França, o primeiro relato documentado foi de um paciente do sexo masculino de 48 anos que estava viajando por razões profissionais em várias cidades da China, incluindo Wuhan, e teve seus primeiros sintomas em 16 de janeiro de 2020. Após voar de volta para Bordeaux, França, em 22 de janeiro procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico da COVID-19 em 24 de janeiro de 2020 pelo Centro Nacional de Referência (Stoecklin et al., 2020). Já nos Estados Unidos em 19 de janeiro deste ano, um homem de 35 anos se apresentou a uma clínica de urgências no condado de Snohomish, Washington, com um histórico de quatro dias com tosse e febre subjetiva. Ele revelou que havia retornado ao estado de Washington em 15 de janeiro, depois de viajar para visitar a família em Wuhan, na China. Dado o histórico de viagens do paciente, os departamentos de saúde local e estadual foram imediatamente notificados. Amostras de soro e swab nasofaríngeo e orofaríngeo foram coletadas e em 20 de janeiro, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do EUA (CDC) confirmou os resultados para COVID-19 (Holshue et al., 2020). No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou no dia 26 de fevereiro, o primeiro caso da COVID-19 na América Latina, em um paciente do sexo masculino, 61 anos, diagnosticado na cidade de São Paulo. O paciente deu entrada no Hospital Israelita Albert Einstein na terça-feira, dia 25 de fevereiro, com histórico de viagem para Itália, região da Lombardia (Candido et al., 2020; Rodriguez-Morales et al., 2020). O histórico de viagem autodeclarada e análises subsequentes da variabilidade genética viral confirmaram que esta infecção tinha sido adquirida através da importação do vírus do norte da Itália (Candido et al., 2020). Diante de um quadro epidêmico crescente mundialmente a OMS declarou no dia 11 de março que a COVID-19 é uma doença pandêmica. A decisão foi anunciada pelo chefe da agência, Tedros Ghebreyesus, em Genebra com a seguinte informação “A doença, que surgiu no final do dezembro, na China, está presente agora em 114 países e nas últimas duas semanas, o número de novos casos diários fora da China aumentou 13 vezes. E a quantidade de países afetados triplicou”. Em decorrência do histórico da doença e pelas características dos atendimentos odontológicos tanto no setor público quanto privado, o risco de infecção cruzada pode ser alto entre dentistas e pacientes. Para consultórios odontológicos e hospitais em países/regiões potencialmente afetadas pela COVID-19, são necessários protocolos rigorosos, urgentes e eficazes de controle de infecções (Meng et al., 2020). Período de incubação O período de incubação da COVID-19 foi estimado em uma média de 5 a 6 dias, mas há evidências de que este período pode perdurar por até 14 dias, que se tornou a duração comumente adotada para observação médica e quarentena de pessoas potencialmente expostas (Backer et al., 2020; Li et al., 2020). O Ministério da Saúde define quarentena como: isolamento de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação da doença, ou seja, pelo tempo compreendido entre o contato com o agente causador e a manifestação dos sintomas da doença. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o tempo de quarentena inicia-se a partir da data do último contato do indivíduo com um caso clínico ou portador, ou a partir…